Allan Piccinin

Apaixonado pela natureza e pelo meio ambiente aquático, Allan Piccinin dedicou a última década à prática e estudo do mergulho e da fotografia, organizou expedições e explorou o Brasil e alguns outros lugares do planeta em busca de entender a diversidade da fauna subaquática.

artigos
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Iniciando na Aventura de Mergulho
Quando você fecha os olhos e se lembra do barulho das bolhas de sua respiração e a imagem do fundo do mar toma conta da sua imaginação significa que você mergulhou. Isso mexeu com você e nunca sairá da sua cabeça. Nesse momento você se apaixonou por isso, então experimentou viver uma aventura de mergulho. Aventurar-se pode significar risco para alguns de vocês ou lançar-se ao desconhecido para outros, mas uma aventura de verdade mexe com você; te faz despertar novas sensações e te leva a um nível de autoconhecimento que de outra forma você não experimentaria.Comigo aconteceu assim, me apaixonei pelo fundo do mar, pelas descobertas e decidi viver plenamente em contato com essa aventura.Uma década de vivência com aventuras de mergulhos em meu dia a dia e estou aqui para dividir essa experiência com vocês. Já estive com tubarões, mas não senti medo, aprendi que respeito é o que o fundo do mar e a natureza nos exigem.Mergulhei em águas frias onde uma simples xícara de café, daqueles de garrafa mesmo, tiveram um imenso valor, ou em águas quentes e límpidas onde a sensação de liberdade é ainda maior. Vi várias espécies de peixes se alimentando com seus filhotes: a prática do funcionamento da cadeia alimentar que estudei nos livros.Já vivenciei situações onde percebi que nessa aventura no fundo do mar você deve saber o seu limite de segurança, já chorei embaixo d’água ao ver as pessoas realizando o sonho de criança. O mergulho me impressiona e a sensação de falta de gravidade acentua o sentimento de liberdade.Mergulhamos em duplas e isso nos induz a sempre dividir, compartilhar experiências e sensações.Me tornei fotografo e fã de imagens de natureza, assim consigo compartilhar com as pessoas um pouco da paixão que me atingiu e que espero que atinja você.Começando hoje, irei compartilhar minhas experiências com vocês com as colunas abaixo:‍- Aventuras de Mergulho- Fotografia Subaquática- Iniciando na Aventura de Mergulho- Destinos de Mergulho‍Espero que gostem e contem comigo até debaixo d’água!
Coluna
Faça fotos sub mais coloridas!
Qual o principal desafio a ser superado na fotografia subaquática? Essa foi a pergunta que me fiz quando decidi fazer fotografia marinha. Esse desafio é o que faz toda diferença entre fotografar no seco ou fotografar na água.Estamos falando da iluminação e do meio que fotografamos, que no seco é o ar, no mergulho é água. Vou tentar explicar de maneira simplificada o desafio e ao terminar de ler essa coluna certamente você terá uma nova ideia de como fotografar embaixo d’água.A água é muito mais densa que o ar e por isso ela “filtra” a luz, é isso mesmo, temos menos luz na água do que fora dela. Então a luz solar tem um efeito diferente na superfície do que dentro da água. Quando a luz sai do ar e penetra água temos efeito da difusão, reflexão, absorção e dispersão da luz.Desse ponto em diante vou falar de maneira mais informal sobre o efeito em si que vai perceber de cada um deles. Os 2 primeiros explicam o porquê chega menos luz solar embaixo d’água, as nuvens, neblina são responsáveis pela difusão reduzindo a quantidade de luz e quando ela chega a superfície da água parte da luz se reflete diminuindo ainda mais a quantidade de luz que chega a água. Quanto mais baixo o sol mais a luz se reflete na superfície da água e mais escura a água. Portanto próximo do nascer e pôr-do-sol embaixo d’água a sensação as vezes é de estar a noite e isso tem forte influência na fotografia.A Perda de Cor é a primeira coisa que irá incomoda-lo ao fotografar embaixo d’água. Antes de conhecer esses conceitos se você já fotografou deve ter percebido que as fotos ficam totalmente azuladas ou esverdeadas dependendo da cor predominante do mar local. Uma referência de quais distância e cores perdemos referência pela absorção de luz dentro da água: • 3 metros – Não se vê o vermelho• 5 metros – Não se vê o laranja• 10 metros – Não se vê o amarelo• 25 metros – Não se vê o verde• Mais de 24 metros – Apenas se vê o azul.Conseguem perceber que me referi a distância dentro d´água e não a profundidade? Porque imagine que você está a 5 metros de profundidade e você com sua câmera está a 2 metros de distância do peixe que vai fotografar. Isso representa 7 metros de distância que a luz percorre dentro d’água até sua câmera registrar a foto. Por isso falo de distância e não apenas profundidade.Qual algumas soluções ou dicas de ouro para fotos coloridas embaixo d’água?‍Primeira dica: Se você não tem um flash potente (flash externo), ou usa uma Action Cam do tipo GoPro®, prefira fotografar em locais raso;‍Segunda dica: Com ou sem flash fotografe o mais próximo possível do assunto (peixe) da sua foto, diminuindo a quantidade de água que a luz vai percorrer;‍Terceira dica: Se não quer se preocupar tanto com a profundidade, tenha um flash externo ou iluminação continua potente para seus vídeos, pois nesse caso você estará levando a luz até o que você quer fotografar. Mas ainda assim chegue perto do que vai tirar sua fotografia senão você também perderá luz;‍Quarta dica: Flashs internos de câmeras não irão te ajudar quase nada se você estiver a mais de 30 cm de distância do que vai fotografar pois sua potência é baixa;Seguindo essas dicas eu garanto a vocês que já vão ganhar muita qualidade nas fotos que fazem independente do seu nível de treinamento.Nos próximos artigos de fotografia subaquática irei falar sobre posicionamento de flashs / iluminações e distorções da fotografia sub;Se você gostou não esqueça de clicar em curtir e compartilhe com seus amigos!Contem comigo até debaixo d’água!
Coluna
Bahamas — Mergulho com Tubarões
No evento Adventure CrossRoads promovido pela WAS, apresentei imagens do mergulho que fiz com tubarões nas Bahamas. Muitos ficaram curiosos sobre o destino então decidi iniciar essa coluna de Destinos de Mergulho falando sobre esse local. Quando surgiu meu interesse em mergulhar com tubarões pesquisei muito e descobri que as Bahamas é um local privilegiado com um mar cheio de tubarões, parte disso por conta da falha geológica conhecida como “Tongue of the Ocean”, algo como “Lingua do Oceano” que separa a Ilha de Andros e New Providence onde está a capital Nassau e chega a 2000 metros de profundidade. Nessa falha repousam muitos tubarões. Em um dos extremos da Ilha de New Providence temos a operadora de mergulho pioneira em tubarões, a Stuart Cove que opera esse tipo de aventura selvagem desde 1982 iniciado pelo seu fundador. Quando cheguei a operadora tive um agradável surpresa, a base fica no cenário de gravação do filme Flipper, o que me fez resgatar memórias de infância. Conversando com a galera da operadora descobri que as Bahamas são cenário da maioria das imagens sub dos filmes de Hollywood o que torna Nassau um destino de mergulho ainda mais interessante para os cinéfilos, sendo considerado capital mundial dos filmes subaquáticos. Alguns que me chamaram atenção: Flipper, Mergulho Radical I, 007 e o próprio filme Tubarão. As águas das Bahamas são cristalinas devido a sua formação calcaria e até olhando em um mapa é visível essa diferença na coloração da água o que o torna propicio para as filmagens. Há muitos naufrágios induzidos para indústria do cinema o que me fez sentir como num filme em alguns momentos. Há mergulhos em naufrágios, paredões de corais e mergulhos com tubarões. Mergulhando nas Bahamas há pontos onde acontece o mergulho com tubarões e navegamos 15 a 20 minutos para chegar no naufrágio Ray of the Rope, um naufrágio muito visitado pelos tubarões. Os instrutores locais passam uma orientação bem detalhada e extensa e logo estamos na água vendo os primeiros tubarões que ficam nadando circular ao naufrágio e nos observando enquanto os instrutores observam o comportamento de cada mergulhador para identificar se estão preparados para o próximo mergulho. Minha primeira avistagem aconteceu enquanto passava pela cabine de comando do naufrágio e quando sai dei de cara com um tubarão me olhando fixamente, mas pouco interessado continuou em sua navegação em volta do naufrágio. Aos poucos já estávamos tranquilos com a presença deles, identificamos que eram 3 fêmeas da espécie caribenhos de recife. É possível encontrar dentes de tubarão durante esses mergulhos pois eles possuem várias fileiras de dentes que estão em constante troca. Passaram 50 minutos e estava novamente na superfície em estado de euforia muito grande junto com os outros mergulhadores. Navegamos mais 10 minutos e paramos no ponto de mergulho chamado Shark Arena, na beira do grande abismo onde os tubarões seriam atraídos por engodos de peixe e estaríamos ali assistindo seu frenesi alimentar, sem gaiolas de proteção, apenas como expectadores. Após novas orientações, mergulhamos e chegamos aos 10-12 metros de profundidade, já na descida era possível avistar mais de 20 tubarões aguardando nossa chegada e quando o alimentador entrou na água com a caixa de alimentação foi incrível começaram a sair do abismo dezenas de tubarões, estimamos algo como 50. Foi impressionante estar com esse animal topo de cadeia alimentar como expectadores e percebendo que não são máquinas de matar e sim animais incríveis, fortes e inteligentes. Um ponto alto da aventura eu era fotografado e filmado quando entre o cinegrafista e eu passou um grande tubarão e me atingiu com sua nadadeira caudal minha câmera, mas sem sequer me dar atenção, estava apenas de passagem. É possível ver no vídeo que vou colocar o link para vocês. As Bahamas merecem visita em outras ilhas: Bimini, Andros, Grand Bahama e pode incluir a praia de Tiger Beach onde ocorre o mergulho com tubarões Tigre. Encerro o artigo de hoje dizendo a vocês que o tubarão é incrível e precisa ser preservado, irei falar mais sobre isso num próximo artigo. Contem comigo até debaixo d'água!
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