o salto
Foi no verão de 2012 que um desafio inédito foi enfrentado por um remador muito experiente.
Nosso fotógrafo Alexandre Socci estava lá e registrou tudo.

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O que é Alimentação Sustentável

Você sabia que cação é tubarão, e que consumir sua carne não significa ter uma alimentação sustentável e nem saudável? Por ser predador de topo o tubarão é imprescindível para o equilíbrio da cadeia alimentar no oceano. Ele também conhecido como o “lixeiro do mar” por se alimentar inclusive de peixes que estão morrendo. Por isso seu papel é fundamental para o meio ambiente marinho.Além disso é um dos peixes que mais acumula metal pesado em sua carne, principalmente mercúrio. Isso porque ele se alimenta de peixes grandes que se alimentaram de outros menores e assim por diante, e que acumularam produtos em seus organismos, num processo conhecido por bioacumulação. Por esses motivos seu consumo não é sustentável e nem saudável.Porém, poucas pessoas sabem disso, e a famosa moqueca de cação ainda é um prato típico brasileiro servido em restaurantes e ensinado em escolas de gastronomia.O Movimento Cook 4 Life acredita no equilíbrio na alimentação, e por isso não associamos comida saudável e sustentável somente ao veganismo. É possível ser saudável e sustentável com uma cultura alimentar variada, desde que sejam consumidos ingredientes naturais que não ameacem o meio ambiente. Diga não aos industrializados em geral, aos excessos de gordura, de sal e açúcar, e busque uma dieta balanceada.A alimentação sustentável considera uma dieta equilibrada, preocupada com a ORIGEM do que você está consumindo, que deve fazer bem para você e para o Planeta!‍‍O exemplo que vem do mar‍Porque vivemos em um barco desde 2011, acompanhamos de perto e diariamente as transformações no oceano. Mas o mesmo vale para o que vem da terra, se pensarmos nas áreas desmatadas, nos agrotóxicos utilizados, no descarte de poluentes em rios e tantos outros problemas ambientais. Sustentabilidade significa: "o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades".Mas não estamos mais falando de garantir somente o futuro. Os recursos naturais são limitados e cada vez mais é preciso ter consciência que estão sendo utilizados acima do limite, por isso é urgente garantirmos o presente! Mas ainda é possível reverter essa situação. Esse é um dos objetivos do Movimento Cook 4 Life. ‍‍Como podemos ter uma alimentação sustentável e saudável ?‍A preocupação com dietas saudáveis é uma realidade na grande maioria das mesas, mas acho que falta informação prática sobre o que é saudável e ao mesmo tempo sustentável. Muito se fala sobre como os arrotos emitidos pelo gado, ovelhas e porcos contribuem significativamente para o aquecimento global, por serem gases de efeito estufa (metano). E também nas áreas desmatadas para pasto e alto consumo de água (cada bovino consome em média 50 litros de água por dia).Porém substituir a carne vermelha por peixe e comer pescado ameaçado de extinção, certamente não estará contribuindo para a sustentabilidade do planeta. Daí nasceu a ideia do Movimento Cook 4 Life! Queremos incentivar o uso de ingredientes de origem animal e vegetal saudáveis e também sustentáveis! Acreditamos que uma alimentação é saudável e sustentável quando faz bem para você, mas também faz bem para o planeta. Vamos te dar muitas dicas, informações, esclarecimentos, troca de conhecimento sobre alimentação saudável e sustentável. Através deste blog, das redes sociais, de encontros virtuais e presenciais queremos divulgar receitas práticas e informações para uma vida mais saudável e sustentável. Traremos informações sobre sustentabilidade no mar e na terra. ‍‍Sim, ser sustentável pode ser mais fácil do que você pensa!‍O Brasil desperdiça mais de 41 mil toneladas de alimentos por ano. 30% dos alimentos produzidos são desperdiçados no mundo todo. E grande parte desse descarte acontece entre o vendedor e o consumidor final. É aquele legume feinho, aquela fruta torta, aquele resto de feira que acaba indo para o lixo!Evitando o desperdício, diminuiríamos a necessidade de produção de alimentos em larguíssima escala, e consequentemente o uso de recursos naturais. Existem até aplicativos que podem te ajudar a comprar frutas, verduras e legumes com carinha diferente, mas saudáveis e mais baratos. Nosso bem estar depende da mudança de maus hábitos para bons hábitos, basta querermos!Consuma alimentos saudáveis, dê preferência para uma alimentação orgânica (vegetal E animal), verifique a origem do que você está comprando. Essa é a ideia do Movimento Cook 4 Life: divulgar dias práticas e úteis para o seu dia a dia! ‍‍Equilíbrio: a palavra mágica!‍Em março de 2019 a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançou uma publicação que reúne exemplos de boas práticas na redução do desperdício de comida, na promoção de dietas saudáveis e no fortalecimento das cadeias locais de produção. Todos estão preocupados com o desperdício de alimentos e o que podemos fazer para evitá-lo.Esse equilíbrio é urgente e necessário. Mas se pensarmos somente em nós e não analisarmos os impactos para o planeta, em pouco tempo não haverão alternativas saudáveis para ninguém.Vivendo em um barco aprendemos a aproveitar ao máximo tudo o que temos, sem desperdício! Por isso queremos compartilhar nossa vivência prática com você. Pode ser economia de água, energia, gás, ingredientes, o que for. No final tudo contribuirá para uma vida mais sustentável, sem abrir mão do que realmente importa na vida: saúde física e mental!‍‍Faça a diferença! Venha para o Movimento Cook 4 Life‍Por isso convido a todos a participarem do movimento Cook 4 Life! Fique de olho na origem dos ingredientes e prepare receitas saudáveis, gostosas e sustentáveis. Seja você também um agentes de mudança no seu dia a dia. Transforme cardápios tradicionais em cardápios conscientes, que farão bem para você e para o Planeta!‍‍Confira agora 5 dicas sustentáveis:‍Está comprando pescado e quer saber se ele é sustentável ou não? Converse com o #chatbot através do Messenger do Guia de Pescados e descubra na hora se ele tem sinal verde, amarelo ou vermelho para consumo. E se ele for tarja preta, saia fora! Quer saber como evitar o desperdício de alimentos? O projeto Comida Invisível é uma iniciativa incrível com muitas dicas e informações úteis. Tem até um APP para você doar comida para quem precisa.Quer saber as espécies de frutos do mar mais recomendadas para consumo no Brasil, e como são produzidas? Acesse o aplicativo do Seafood Watch, produzido pelo Aquário de Monterey, com informações de pescado do mundo todo. Quer colher suas verduras na hora, livre de agrotóxicas e super saudáveis? Visite o mercado que está inovando em São Paulo Super Saudável. E para finalizar, gosta de carne vermelha mas não quer prejudicar o meio ambiente? Dê preferência para a carne orgânica, que garante uma forma de produção sustentável e mais saudável. Para ter mais dicas siga nosso blog Cook 4 Life e página no facebook agora!

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Para que serve a tempestade

Ao se lançar ao mar, o marinheiro deve saber aonde ele quer chegar, e ele tem isso bem claro. Ele também sabe do seu propósito ao partir. Ao encontrar uma tempestade no meio do caminho, as suas habilidades vão ser testadas ao limite, e aonde o mar encontrar a sua fraqueza, lá será travada uma batalha. Passado o mau tempo um dia o barco chegará à segurança do porto. Feliz e com um forte sentimento de vitória, o marinheiro olhará para trás e agradecerá ao mar. Sabemos que bons marinheiros são forjados nos mares tempestuosos, e por saber disso ele reconhece a oportunidade. Ele sabe que a tormenta tem um propósito, e também não se esquece do seu. Se não fosse o caos, quem daria a ele a referência e a noção do melhor? Como ele aprenderia a lidar com o imponderável, e como ele poderia dormir no aconchego da sua cama, ou mesmo dar valor a um prato quente de comida? Em certo momento da vida do navegador, ele para de julgar o mar, o vento forte, a marejada, os cortes nas mãos e as noites mal dormidas. Ele simplesmente aceita tudo, e aprende que cabe a ele buscar seus recursos internos, e toda sua experiência para viver a vida entre os elementos. Sem viver o caos, ele nunca aprenderia sobre o discernimento, e sem o discernimento ele jamais saberia como fazer suas escolhas, e assim nunca saberia como tomar uma decisão, e sem tomar decisões, ele jamais chegaria onde ele sabe que tem que chegar. Navegamos muitas vezes sem rumo e nos esquecemos aonde queremos chegar. Nos negamos a vivenciar todas as experiências, por simplesmente não entendermos a natureza dos acontecimentos. Por isso quando o caos se apresenta nos apressamos em julgar. Julgamos quem nos fere, julgamos o mundo, julgamos aqueles que erram e nos julgamos. Nos esquecemos de que a dificuldade mora ao lado da superação, pois ela tem a tarefa de nos dar a referência de onde estamos, e de onde podemos chegar. ​ Em tempos de crise como estamos vivendo, a postura deveria ser de transformação, criatividade, determinação e fé. ​ De nada adianta nos colocarmos na condição de vítimas, pois esta consciência tem acompanhado a humanidade há séculos, e ela tem nos tornado reféns das nossas próprias atitudes. A tempestade é a mais perfeita oportunidade que o caos nos oferece. Deveríamos agradecer ao invés de nos queixarmos. Em se tratando de viagens, a viagem mais perigosa é aquela em que não sabemos aonde queremos chegar, e tão importante quanto saber o destino é saber como vamos realizá-la. Em relação a embarcações, eu recomendo viajar leve, e levar o estritamente necessário, pois quem vai mais leve vai mais longe. Para a vida a regra é a mesma. Podemos ir muito mais longe do que pensamos, e com recursos que nunca imaginamos. Porém quando estamos nos preparando para partir devemos fazer escolhas do que levar e do que deixar. Existem coisas primordiais que não pesam, e na minha maneira de ver jamais devem ser esquecidas. Podemos carregar os nossos barcos com toneladas de sonhos. Devemos levar também o ideal, a honestidade, a honra, o compromisso espiritual, a compaixão, o respeito, a atitude amorosa, a confiança, a fé com toda a nossa humanidade. Tão importante quanto saber onde queremos ir, é saber como vamos fazer a nossa travessia. Todo barco que parte tem que chegar, pois a tempestade é a nossa escola que tem, como na natureza, a habilidade de moldar os nossos valores.

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Meu caminho pelo sertão do Rosa
Uma semana entre Sagarana e o Grande Sertão: Veredas
Sobre este relato: Há uma aventura literária filosófica acontecendo embrenhada no interior de Minas Gerais chamada O Caminho do Sertão, de Sagarana ao Grande Sertão: Veredas. Em 2019 terá sua 6ª edição. Um trajeto de 180km percorrido por mais de 100 pessoas vindas de áreas e lugares e culturas completamente diversos. Inicia em Sagarana, primeiro local de assentamento em Minas Gerais, distrito criado em homenagem e inspirado por João Guimarães Rosa. E o caminho vai até o Parque Grande Sertão Veredas, em Chapada Gaúcha. Sete noites acampadas, cada qual em um lugar perdido de existência, por baixo de um céu 5 milhões de estrelas. Fomos nos banhar no Urucuia, o rio do amor do livro do Rosa. Tanta e toda vida acontecida logo ali. Montar barraca ao anoitecer, desmontar antes do amanhecer. Mais que encantador, é um momento de reflexão da vida, de tudo que nos cerca, pois que cercados de sertão e de pessoas do sertão é fato que iremos nos questionar de como vivemos a cidade. Eu fui selecionado para a 3ª edição desta caminhada – sim, há um edital, você precisa querer muito ir passar esse perrengue existencial maravilhoso e ser selecionado, além de custear sua alimentação e transporte – e imediatamente após voltar derramei um relato desta aventura. Segue aqui o texto e o convite a repensarmos a revolução necessária ao meio ambiente, a nossa casa toda.‍Meu caminho pelo sertão do RosaOra pois no ôxi então! Vem! Né! Espiaaaaa....Caminho que o senhor fez foi caminho árduo dificultoso no então do ido, foi que foi? É que não. É que é travesso, de serpentina de poeira e rodamoinho de pé-de-valsa no baldio da multidão dos andantes que só e pó. É que foi. Um no depois do outro, o mundo indo, outros lugares. Assim, de passo dado feito mãos dadas. Roda de ciranda e de preparo do corpo pro pro-ir. Eu fui. O outro eu fui. Os outros fui. Eu fui em todos que foram. Todos me foram. Nós então agora somos. Caminhamos o caminho do sertão em terceira edição. Haja amanhã pra tanto hoje, houve. Teve.Rumei trecho. Saído dos loucos na cidade, entre as rosas e os campos, as vertentes, os também gerais, as bárbaras cenas rumo arriba. Sete. Setecentos. E setenta. E sete. É. Pareceu pirraça de brincadeira. Mas foi o GoogleMaps o pierrot dessa picardia. Foram esses os quilômetros (entre) a minha Barbacena e a nossa Sagarana. O meu Ponto de Partida.Esse texto bobo é para cumpliciar com vosmecês a fadiga do meu peito que brinda escrivinhadura com o contar das experiências do andarilho maltrapilho que me rodopia dentro do peito. Um sete em cada panturrilha, a pois! Sete centímetros cada, na idade dos 34 anos (3 + 4 é sete outra vez), na ida da virada do setênio nos 35! Arre! Eles falam. Eles dizem. A cabala, a astrologia, a numerologia, a crise dos casais, as profecias e os anjos deve que dizem também, ou não, pelo contrário.E o meu Ponto de Partida é o grupo de teatro. Todo meu de nosso. Daqui também dos loucos artistas criadores de vida. E o segredo maior do meu sonho-delírio que lhes conto: a música, O Amanhecer, cantarolado por Daiana e assobiado por Gustavo. É canção composta pelo moço conhecido, o tal Fernando Brant, que configurou no desenho do rabisco a letra tendo de contraponto a melodia composta pelo moço que faz do violão uma orquestra, o sinhô Gilvan de Oliveira. A música, cantada em vez primeira pelo pequeno Pablo Bertola, aos 5 anos, foi trilha de um espetáculo belo chamado O Beco, que diz que “quem é do Beco, é seco é pau, por milagre fica em pé. Quem é do Beco não é bom nem mau, sete vidas, tem na fé.... quem tem amigos na vida... está mais perto de ter Deus!”. E aí, que quando ouvi a Daiana, às 04 do dia, meus olhos abriram achando que até a abertura deles era ainda o sonho indo.Vosmecês e vosmecêsas exculpem esse jeito meu de falar do quintal da minha rua, é que é nele que eu entendi que é tudo casa, até a casa nua despida de cidade que é o sertão todo. E eu fui indo né, com vocês, com eles, sendo guiado pela vontade do peito de buscar rumo sem rumo, indo fondo, igual o andarilho que eu criei para perambular mundo. É que ir é o mesmo que o estar, só que sendo de bicicleta, um pouco mais rápido que o passo, um pouco mais lento que o tudo. É ir fondo mesmo.Nos tempos em que li o Grande Sertão do Guimarães eu tive epifanias. De que tudo que precisa ser escrito, dito ou compreendido estava ali. Um relicário precioso. Um baú de Pandora com a capsula do tempo mesclados, feito Deus e o diabo. E encontrar a um bando contatado para travessar juntos foi a mais honesta forma de realizar um sonho que um homem em seu meio caminho de tempero de vida pode encontrar com honestidade. Ver a literatura ganhar folhagem e a folhagem ser o cenário da ficção mais real que já li. Compreender a força pungente e arguta da arte em se fazer parte da vida cotidiana de todos os tipos de gentes (entre) as boas-ruins-boas e as doutas-sábias-rotas. A arte da ficção impelindo ao mundo as verdades!! Maravilha de viver, compreender e perceber. O que as cabeças idealizaram em primeira mão, os corpos sedimentaram em segunda ida. A nós, a alma. Insuflada nos corpos de pó, poeira e terra seca. A água das lágrimas, do suor e do carro de apoio fizeram de nós a massa primeira ancestral da criação. A realização em realidade da filosofia mitológica do barro que cria. E o sertão ali, sorrateiro-pleno, acordado inteiro, insuflando ventinhos para dentro de nós.Entrar ali é entrar em duas dimensões gigantes estando no mesmo lugar. O sertão de todos, o sertão do Rosa. Para transitar de um ao outro sem enlouquecer ao som do vento a gente tinha como que a pausa da existência, o recitar do homem que leva a palavra de Guimarães no beiço, Elson. E para a alma, os guias. De uns, o sol, outros a lua. A estrelaiada é a constelação de anjos para eles. O comandante Fidel dos jagunços urbanejos do sertão, a docilidade no homem em riste que abre os caminhos e garante a ida, a abertura de trincheira, os esclarecer dos matos. O guia celeste, aquele que nos une ao céu em puro, o Célio. O Bergue, nosso xamã curandeiro clérigo guia, que cuida de nossas colunas fingindo que alinhava os pés pelas bolhas, generosidade em abundância guardada dentro de castanhas de baru. O baru! Esse que melhora o colesterol, dá força e juventude, alegria aos casais e alimento a tantos. O guardião da retaguarda do bando, o que aceita o arrematar a travessia, o garantidor dos rastros, a salvação dos observadores mais aprofundados na arte do caminhar sem a pressa da dúvida, o Fanta. O homem um, o um em tantos, o cantador de aboios que nos lembra o ontem e nos faz pensar o amanhã, e sua presença é já. O Jao. E onde há guia, há discípulo dos caminhos. Como lã de carneiros que, na juventude, já vem para nos proteger, compreendendo nos passos tantos os rumos dos do ano que vem, a Lana. E aquele, o famigerado, o estapafúrdio, o sem beiradas de comparação, o papa-léguas do sertão, que tanto admiro, o seu Agemiro. É como o mago supremo talhado em resiliência e arguido em cacto. Importa pouco a secura do mundo, o que ele guarda dentro é água em nascente. Assentados, em beirada de pedra na cachoeira do churrasco eu perguntei a ele pedindo: “Seu Agemiro, fala-me, por favor e obséquio, algo de sabedoria de vida?” – ao que ele me olha, sem a pestana cintilar e me solta para os peitos: “Você quer uma receita? Toma café da manhã, almoça e janta. Pronto. Assim você sobrevive”. É. O sertão. Eu admiro. Resguardo as dúvidas e finjo exibir só as certezas, ele que se mostre para me carcomer entre sol e lua, e guias e setes e amanheceres. Eu sou puro ruminar.E da alma, os guias. Dos seres humanos, a astrologia, a psicologia e a escola de carinhos que o sertão foi. As cachoeiras de reabastecimento dos cantis de dentro. O terreno! Esse faz de cuscus com obra mal queimada em comida guardada de terceiro dia! Sim! O terreno! Pior em cada passo, tenebroso a cada dia. Com um tanto de íngreme a mais que o joelho não mede, mas a coxa caleja. O areal! A areia. Percebem? Os nossos passos ali são os anos! Todos! Um mais pesado que o outro, e depois do outro, mais areia!! E mais areia e poeira e espinhos novos, des-inventados ainda um mês atrás, certeza tenho! A-há!! O sertão diz! Gargalha de bocejar do óbvio que pra si ele deve que ser talvez. Nós caímos na pegada do sertão. Quando melhorou, pareceu, o buraco veio. Não. O buraco foi. Eita. O buraco ali, é paradoxo, porque é um só e é todos. O buraco vão com a gente! O vão dos buracos, o canto mais resguardado de nascente de rio é o maior labirinto pros pés, os olhos, os ouvidos e as águas. É....... as águas. Quem, tendo vivido, visto, ido, bebido, cheirado, benzido e curado há de ter coragem carecida para decidir escrever em linhas o que é a tal dela? A famigerada. A que salva os dois pontos do título do livro do Rosa. Por favor. Se alguém explicar o que é a vereda, conta-me não. Porque para mim ela só pode ser família. O resto é mato.O sertão, moços e moças. Guardou minha alma. Ele não pediu. Não pactuei. Ela foi sendo ele. E é. Achei que não tinha voltado, que o corpo não queria dar o download. Foi não isso. Foi nada. É que de antes de ir até agora que fui eu estou é indo. E vou. Até que fui.A você, qualquer um que careceu de ter coragem de chegar até aqui, ou loucurinha mesmo, obrigado por ter caminhado em lado mais eu. Você me ampliou por me fazer horizonte seu. Isso eu amo.Até mais ver.

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Voo para Lukla e Primeiro Dia de Trekking
Relatos de um montanhista no Nepal
Acordamos cedo e, como era de se esperar, houve bastante muvuca para organizar a bagagem de todos os 45 membros do trekking. Nos dividimos em várias vans e, driblando o trânsito da rua, chegamos ao aeroporto.O terminal de voos domésticos estava lotado, tipo filme indiano. Ficamos um tempão esperando o desembaraço para voar. Enfim, quando entramos no terminal de embarque, ficamos sabendo que nosso voo havia sido remarcado para onze horas. Mas qual?Como o grupo era grande, tivemos que fretar três aviões. Isso porque o aeroporto de Lukla é minúsculo e só pousa teco teco.Meu avião foi o último a decolar, depois das 13 horas. Um ônibus nos levou até a pista onde embarcamos num bi motor. Ele tinha de um lado apenas uma fileira de cadeiras e no outro duas.Após mais uma enrolação, enfim decolamos e o caos urbano de Kathmandu foi ficando pra trás. Fomos entrando numa periferia com ruinhas de terra onde casas se alternam com plantações de arroz e enfim passamos a sobrevoar colinas, estas ainda bastante habitadas.Num determinado momento o avião fez um rasante para atravessar um passo e pouco tempo depois a aeromoça nos informa que iríamos pousar.O avião vai descendo um vale e enfim toca a pista, chega na cabeceira e começa a retornar. Não parece Lukla. Em inglês ouço "this is not Lukla". E não demora para repercutir em nossa língua.O avião estaciona e o piloto nos informa: "Em Lukla está ventando muito. Vamos esperar o tempo melhorar para decolar de novo. Talvez às 15h a gente consiga voar....".Ligo o celular e vejo que pega 3G. Pelo Google vejo que estamos em Ramjatar. O aeroporto é menor que uma rodoviária, não tem nada pra fazer a não ser esperar. Tomados pela preguiça deitamos embaixo da asa do avião e ficamos batendo papo e descansando.Lá pelas 16h o piloto voltou e, enfim, conseguimos voar e pouco depois de 20 minutos fizemos um pouso tranquilo no famoso aeroporto de Lukla.Apressados, comemos alguma coisa e logo começamos a andar; o resto do grupo já havia saído. Tínhamos uma reserva num lodge em Phakding 2:30 horas depois.Saímos quase tropeçando do aeroporto e cruzamos a cidadezinha de Lukla, que tem um centrinho muito charmoso com lojas, restaurantes e cafés. A atmosfera é excelente, uma energia muito positiva. Estava no começo do trekking do mais famoso do montanhismo que já lia a respeito desde que era adolescente.Saio na trilha junto com Pemba e Karina e aproveito para perguntar tudo para o nosso Sherpa. O nome das árvores, dos animais e das montanhas que dava pra ver.A caminhada flui tranquila. Todos andando com bom ritmo, perdendo tempo para fotografar e filmar a pitoresca paisagem até que noite nos pegasse.Um sherpa começou a se destacar pela felicidade e bom humor. Pasang, na verdade, era filho de um sherpa com uma tamang. Ele falava, além das duas línguas, o nepali (que descende do hindu) e inglês muito bem. No caminho fomos ensinando português pra ele: — Vai Corinthians!— Mexe a bunda!— Vamos, vamos Brasil! Foi isso o que ele aprendeu na primeira noite.Chegamos em Phakding a tempo de jantar com o resto do grupo.Conversamos bastante e logo fomos para nosso primeiro pernoite na trilha.‍

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Meu caminho pelo sertão do Rosa
por
Fred Furtado
Abençoado
por
Pedro Hauck
Voo para Lukla e Primeiro Dia de Trekking
por
Pedro Hauck
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