ver todas
o salto
Foi no verão de 2012 que um desafio inédito foi enfrentado por um remador muito experiente.
Nosso fotógrafo Alexandre Socci estava lá e registrou tudo.
ARTIGOS & CIA

Bahamas — Mergulho com Tubarões

No evento Adventure CrossRoads promovido pela WAS, apresentei imagens do mergulho que fiz com tubarões nas Bahamas. Muitos ficaram curiosos sobre o destino então decidi iniciar essa coluna de Destinos de Mergulho falando sobre esse local. Quando surgiu meu interesse em mergulhar com tubarões pesquisei muito e descobri que as Bahamas é um local privilegiado com um mar cheio de tubarões, parte disso por conta da falha geológica conhecida como “Tongue of the Ocean”, algo como “Lingua do Oceano” que separa a Ilha de Andros e New Providence onde está a capital Nassau e chega a 2000 metros de profundidade. Nessa falha repousam muitos tubarões. Em um dos extremos da Ilha de New Providence temos a operadora de mergulho pioneira em tubarões, a Stuart Cove que opera esse tipo de aventura selvagem desde 1982 iniciado pelo seu fundador. Quando cheguei a operadora tive um agradável surpresa, a base fica no cenário de gravação do filme Flipper, o que me fez resgatar memórias de infância. Conversando com a galera da operadora descobri que as Bahamas são cenário da maioria das imagens sub dos filmes de Hollywood o que torna Nassau um destino de mergulho ainda mais interessante para os cinéfilos, sendo considerado capital mundial dos filmes subaquáticos. Alguns que me chamaram atenção: Flipper, Mergulho Radical I, 007 e o próprio filme Tubarão. As águas das Bahamas são cristalinas devido a sua formação calcaria e até olhando em um mapa é visível essa diferença na coloração da água o que o torna propicio para as filmagens. Há muitos naufrágios induzidos para indústria do cinema o que me fez sentir como num filme em alguns momentos. Há mergulhos em naufrágios, paredões de corais e mergulhos com tubarões. Mergulhando nas Bahamas há pontos onde acontece o mergulho com tubarões e navegamos 15 a 20 minutos para chegar no naufrágio Ray of the Rope, um naufrágio muito visitado pelos tubarões. Os instrutores locais passam uma orientação bem detalhada e extensa e logo estamos na água vendo os primeiros tubarões que ficam nadando circular ao naufrágio e nos observando enquanto os instrutores observam o comportamento de cada mergulhador para identificar se estão preparados para o próximo mergulho. Minha primeira avistagem aconteceu enquanto passava pela cabine de comando do naufrágio e quando sai dei de cara com um tubarão me olhando fixamente, mas pouco interessado continuou em sua navegação em volta do naufrágio. Aos poucos já estávamos tranquilos com a presença deles, identificamos que eram 3 fêmeas da espécie caribenhos de recife. É possível encontrar dentes de tubarão durante esses mergulhos pois eles possuem várias fileiras de dentes que estão em constante troca. Passaram 50 minutos e estava novamente na superfície em estado de euforia muito grande junto com os outros mergulhadores. Navegamos mais 10 minutos e paramos no ponto de mergulho chamado Shark Arena, na beira do grande abismo onde os tubarões seriam atraídos por engodos de peixe e estaríamos ali assistindo seu frenesi alimentar, sem gaiolas de proteção, apenas como expectadores. Após novas orientações, mergulhamos e chegamos aos 10-12 metros de profundidade, já na descida era possível avistar mais de 20 tubarões aguardando nossa chegada e quando o alimentador entrou na água com a caixa de alimentação foi incrível começaram a sair do abismo dezenas de tubarões, estimamos algo como 50. Foi impressionante estar com esse animal topo de cadeia alimentar como expectadores e percebendo que não são máquinas de matar e sim animais incríveis, fortes e inteligentes. Um ponto alto da aventura eu era fotografado e filmado quando entre o cinegrafista e eu passou um grande tubarão e me atingiu com sua nadadeira caudal minha câmera, mas sem sequer me dar atenção, estava apenas de passagem. É possível ver no vídeo que vou colocar o link para vocês. As Bahamas merecem visita em outras ilhas: Bimini, Andros, Grand Bahama e pode incluir a praia de Tiger Beach onde ocorre o mergulho com tubarões Tigre. Encerro o artigo de hoje dizendo a vocês que o tubarão é incrível e precisa ser preservado, irei falar mais sobre isso num próximo artigo. Contem comigo até debaixo d'água!

Ler mais...

Egito

Olho fixamente para a parede da sala do apartamento onde moro. À penumbra, apenas refletidos pela bruxuleante cadência de uma vela, emergem os contornos geográficos do mapa mundi. Em cada margem, nos simples traçados, destacam-se universos tão desconhecidos, cheios de cores, e línguas, e aromas, e Caos. Ah! O Caos, esse destino reconhecido e amado pelos meus sentidos, sempre desejado a cada nova imersão no âmago da vida, no renovado afivelamento das imensidões de minha mochila, nas conspirações e sedes dos meus olhos, pele e espírito.Dedico minha atenção a esse momento, recostado sobre o sofá, na agonia do vinho e da magia islandesa de Sigur Rós, relembrando minha última viagem. Destino? Os imensos e enigmáticos desertos de uma das primeiras civilizações de que se tem compreensão: Egito!Calmamente, organizo o necessário dentro de minha mochila, receptáculo de experiências e invólucro do mais puro sentimento de liberdade a que eventualmente sou destinado, mas o pensamento voa longe, diferentemente das vésperas de outras viagens já empreendidas, e questiono divagações tão minhas silenciosamente... ‍O EGITO Desembarco, ainda narcotizado pela extensa e desconfortável viagem até a cidade do Cairo, capital daquele país. As primeiras impressões de um novo lugar sempre me assaltam sobremaneira, e já fora do aeroporto, até então no hiato do movimento, sou fustigado pelo clima árido e sol escaldante da atmosfera egípcia.Considero-me um viajante esteta, sempre visando apreender a sutileza dos pormenores, a alucinação dos apontamentos da Beleza, e que felicidade senti ao me saber naquele território tão emblemático, palco de tantas elucubrações, desenhado em nossas infâncias, aguçando-nos enquanto jovens e mais senhores... ...mas esse frenesi foi interrompido inicialmente pela confusão de culturas que meus olhos experimentavam: já na saída do aeroporto, a multidão se anunciava oferecendo os mais diversos serviços, causando um pequeno sufocamento inicial. Já livre das inconveniências primárias, lancei-me em direção à planície de Giza, onde estão encravadas as misteriosas pirâmides. ‍RIO NILO, PIRÂMIDES, ESFINGEDo aeroporto à cidade de Giza, que fica no lado ocidental do Rio Nilo, entidade cultuada pelos antigos egípcios como uma manifestação divina, conheci o perturbado tráfego local, sobre o qual não sou capaz de encontrar adjetivos.Nos termos da tradição egípcia, o território ocidental do Nilo era dedicado ao culto dos mortos enquanto que a parte oriental era o local onde os vivos moravam, tais compreensões baseadas na trajetória solar. Sendo assim, as grandes pirâmides foram vultosas construções destinadas ao sepultamento dos reis ancestrais. Tive a sorte, na ocasião, de hospedar-me defronte às pirâmides, e já nesse primeiro contato, minha compreensão de magnitude se rendeu timidamente à apoteose dessas construções: alinhadas precisamente, as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, pai, filho e neto, acompanhadas de túmulos piramidais de menor expressão. À frente da tumba do rei Quéfren, como uma guardiã milenar, emerge a figura da Esfinge, também circundada de inúmeros mistérios, sendo ela a maior obra dessa natureza encontrada no Egito até o presente momento.Após um rápido café da manhã, servido à maneira árabe, desloquei-me ao complexo das pirâmides e lá, bombardeado com as informações do guia, fui levado a universos incompreensíveis a minha frágil imaginação, tão nova e incipiente frente àquela história milenar, mas a sede de novos arrebatamentos nunca foi amena em meus poros. ‍CLAUSTROFOBIA ENTRE TESOUROSDentre as sensações únicas vivenciadas nesse dia, entre elas se destaca a possibilidade de ter adentrado na grande pirâmide de Gizé, dedicada ao rei Quéops, e nesse atrevimento, misturada à sensação claustrofóbica e sufocante de percorrer o estreito corredor que levava à câmara onde fora sepultado o nobre, senti novamente aquela extravagante sensação de pequenez quando em contato com a grandiosidade deste mundo incrivelmente belo e fantástico.Era o contato inaugural e já me sentia extasiado, no entanto muito estava por vir e minha ignorância não possuía fundos.Em visita à cidade do Cairo, mais precisamente ao principal museu da megalópole, foi-me apresentada uma pequena parcela do que era a riqueza artística e material da época faraônica, bem como pude ter contato com as milenares múmias de seus mais conhecidos governantes, e em silêncio sepulcral comparo a grandiosidade de uma civilização que conseguiu vencer as intempéries do tempo com suas manifestações artísticas e espirituais com a nossa sociedade moderna, frágil e débil, sustentada pela volatilidade e superficialidade de seus apontamentos. ‍ABU SIMBEL, TEMPLO DE RAMSÉS IISigo em minha viagem, atordoado com tanta poesia atemporal e chego à cidade de Assuã, nas proximidades com a fronteira do Sudão, local conhecido como Alto Egito, em contrapartida à região da Necrópole de Gizé, denominado à época como Baixo Egito. Nas cercanias de Assuã, um dos sítios arqueológicos que me intrigavam já na preparação da viagem: Abu Simbel.Em Abu Simbel, templo dedicado ao faraó Ramsés II, um dos governantes que mais tempo permaneceu no poder, a certeza de que o Egito iria deixar rasgos indeléveis em minha alma. A precisão e força com que foram esculpidas as estátuas e paredes desse templo, que retratavam desde a batalha de Cadiz à lua-de-mel de Ramsés II e sua rainha Nefertari realmente faziam jus à ideia buscada por Ramsés II de se autoconclamar um novo deus, ao lado de Osíris, Isis e tantos outras entidades cultuadas pela riqueza politeísta da época.De Abu Simbel ao templo de Nefertari, e assim ao Templo de Philae, ou Templo dedicado à deusa Ísis, passando por uma noite em uma vila Núbia, às margens do Nilo, sob a brisa fresca desse colossal acidente hidrográfico, o Egito se impregnava em minha pele como tatuagem nova, docemente tracejada e de vínculos perpétuos. ‍NO VALE DOS REISApós a breve visita das cercanias de Assuã, dirigi-me a Luxor, cidade onde desenvolveu-se o império faraônico e as dezenas de suas sucessivas dinastias.Em Luxor, antigamente nominada Tebas, os sinais dessa civilização tão enigmática e desafiadora dos tempos e dos contratempos são vertiginosamente visíveis. Enamorei-me da cidade, de seus templos dedicados à vida, de seus monumentos dedicados à morte, do clima, de tudo...Foram dias de imensa imersão na cultura antepassada, e na visita dos sepulcros destinados aos icônicos faraós Ramsés IV e VI tive vislumbres únicos e inenarráveis. Reduzo-me em lágrimas, quando relembro do momento quando meus olhos tocaram os corredores e salas fúnebres desses dois túmulos no Vale dos Reis.A precisão artística destacada no cinzelamento das paredes, contando histórias tão alheias a minha compreensão ocidental e moderna, as pinturas vívidas e policromáticas narrando grandiosidades tão distantes da parcimônia de meus entendimentos, tudo isso, remeteu-me a um macrocosmo onírico e libertador.Estar ali, envolvido pelo festejo da morte, pela celebração metodicamente delineada do rito de passagem, fez-me questionar o quão miserável me reconheço ao declinar minhas atenções a circunstâncias tão efêmeras e rasas do meu cotidiano, demonstrando apego a condições moribundas de existência. ‍O SIGNIFICADO DO TEMPOSe viajar é um convite a viver sensualmente por inteiro, como pontuou Michel Onfray, e são palavras que celebro e me encanta pronunciá-las, são nesses instantes em que me envolvo plenamente com o manto do existir.A nova música que nasceu em mim enquanto caminhava silenciosamente por aqueles orquestrados corredores da morte ressoará como um mantra de resiliência e gratidão permanentes.Em um desses memoráveis dias vivenciados na cidade de Luxor, tive o prazer de velejar pelas divinas águas do Nilo, em uma feluca, embarcação utilizada pelos antepassados, presenteado pelo magnânimo carnaval de cores ao entardecer. Estas pequenas sensações de efeitos tão sublimes, como a brisa que me abraçava enquanto tomava um chá sentado na proa do barco, elevam minha infante condição existencial a patamares reais, e sou grato, humildemente grato ao Divino por poder sentir esses encantos.A viagem foi finalizada na cidade de Hurghada, banhada pelas cristalinas águas do Mar Vermelho, onde pude repousar e dar o devido tempo à assimilação de tudo o que havia vivido até então. Viajar é estar completamente exposto ao desconhecido, e diuturnamente somos apresentados a sensações únicas e intensas, e elas se acumulam e nos arrebatam, e nos preenchem de maneira tão visceral que é necessário o descanso para compreendê-las e senti-las devidamente. Assim, com as águas do Mar Vermelho, vivenciadas à margem e em seu âmago, encerrei a viagem preenchendo os desertos de minha alma com as magnificentes areias desse país que reinventou o significado do tempo.‍

Ler mais...
ler artigos
entrevista
arthur simões
o mundo ao lado
Em 2006, Arthur Simões deu início ao projeto Pedal na Estrada, uma volta ao mundo de bicicleta, percorrendo sozinho 46 países em 5 continentes.
AVENTUREIROS
ver aventureiros
GALERIAS DE FOTOS
ver galerias
NOTÍCIAS
Karina Oliani enfrenta o K2
Karina Oliani vai escalar o K2, a montanha mais perigosa do mundo.A montanhista, médica e aventureira Karina Oliani, já escalou o Monte Everest – a maior montanha do mundo, com 8.848m – duas vezes, tanto pela face sul quanto pela face norte. Para muita gente, chegar no teto do mundo poderia ser o ápice do desafio pessoal e profissional. Mas não para Karina. O Everest, apesar de ser o ponto mais alto do planeta, não é a escalada mais difícil, nem a mais técnica. A montanha conhecida como K2, na cordilheira de Karakoram, no Paquistão, – e a segunda maior do mundo com 8.611m –, é a barreira vertical mais respeitada pela comunidade de escaladores profissionais. O K2, com sua instabilidade climática, quantidade de avalanches e trechos de gelo e rocha extremamente íngremes e expostos, se torna a montanha mais difícil e mortal do mundo. E é para lá que Karina acaba de embarcar, agora em junho, para realizar o maior desafio da sua vida.Numa expedição minimalista, composta de apenas 3 pessoas, Karina se lança nessa empreitada junto com o amigo e também montanhista profissional, Maximo Kausch – recordista mundial de ascensão em montanhas acima de 6.000m, além do sherpa Lakpa Temba. Ao completar a escalada, Karina será a primeira mulher sul-americana a conquistar tamanho desafio. Apenas um único brasileiro, Waldemar Nicklevikz, conseguiu o feito de pisar no cume do K2 até hoje, depois de três tentativas.Karina vem se preparando para escaladas como essa, por quase metade da sua vida e já conquistou além do Everest, montanhas como o Aconcágua, Kilimanjaro, Elbrus, Mont Blanc, entre outras menos conhecidas.Em nível técnico do K2 é o que o torna a montanha mais difícil do mundo e uma das mais letais. Para cada quatro pessoas que alcança o topo, uma morre na tentativa. A escalada, além de exigir muito preparo físico e psicológico, demanda meticuloso planejamento: só a trilha para o campo base – local de onde se inicia a escalada – requer 15 dias de trekkingDesde que começaram as tentativas de se escalar a montanha, em 1904, só 50 anos depois a primeira equipe conseguiu chegar ao cume (em 1954). Ainda hoje, se comparado ao Everest, o K2 é uma montanha muito menos escalada: pouco menos de 200 expedições chegaram ao cume, contra quase 1500 no Everest. Em sua formação médica Karina se especializou em medicina de altitude e já foi para diversas montanhas como "médica da expedição". Além disso, é atleta multi-esportista com foco em esportes de aventura e outdoor.A expedição tem o apoio da Volvo, da Pulsar Invest, Outback, John John e Gilette, deve alcançar o cume da montanha no final de julho ou no início de agosto. Tudo será registrado pela equipe com imagens em 4K e terá edição e direção da própria Karina, para que possa virar um documentário dessa aventura épica.Visite o site de Karina Oliani:http://karinaoliani.com.br/
ler notícias
relatos de aventuras
Chegando à Capital dos Sherpas
Relatos de um montanhista no Nepal
por
Circum-Navegação da Ilhabela
3 dias de aventura num surfski
por
ler RELATOS
benefícios
ver todos
INSTAGRAM da was
ver página do feed
DÚVIDAS SOBRE AVENTURA?
ENVIE SUA PERGUNTA!
one world, one life, one great adventure